01 setembro 2013

Coração palpita, mão treme, rosto vermelho e a exata impressão que está escrito na sua testa que você está interessada naquele moço ali.

Vem paixonite, vai paixonite, vem romance, vai romance e os indícios são sempre os mesmos.

O processo que me leva a ser eu mesma demora. Começa com a insegurança. Aquela fase que me arrependo do doce que comi, da academia que não fiz, pois tenho CERTEZA que me tornarei menos atraente pelos quilinhos a mais. Sinto vergonha da unha mal cuidada, do cabelo amassado, das olheiras que não disfarcei com o corretivo. Tento me esconder atrás de mim.

Escuto, observo, presto atenção, mantenho-me discreta. Até surgir a primeira opinião polêmica. Senhoras e senhores, apresento-lhes Karen Luciene. A leonina aguarda o seu momento para a grande estréia com louvor. A cortina vermelha sobe e cá estou. Segura junto ao batom escuro, vez ou outra movimentando os cabelos, destilando opiniões sobre temas que não conhece com precisão. Minha maneira de dizer: Cheguei!

Volto para o meu canto com olhar atento e lembro de todas as vezes que minha terapeuta me lembrou de não chutar a porta, com um chicote e caindo na jugular de alguém. Tento ser menina, feminina, bebendo e sorrindo, fazendo charme. Surge mais uma polêmica. Hora de mentalizar "você não precisa impor sua opinião, nem acabar com ninguém desta mesa". O mantra se repete e acaba no momento que abro a boca para segundo ato.

Você me olha com cara de quem não consegue decifrar se sou mandona, metida, menina frágil, insegura, tímida, arrogante.
Eu retribuo o teu olhar com um sorriso dizendo através de meus olhos: "Sou um pouco de tudo isso".

Fica um ar sem graça quando somos os únicos na mesa. Sinto vontade de te beijar. Tenho medo de arriscar. Tento te dizer silenciosamente para se aproximar que eu não mordo (não no primeiro momento). Começo a falar loucamente sobre algum assunto qualquer, evitando qualquer tipo de silêncio enquanto minha mente imagina como seria o teu beijo.

Hora de ir embora! Eu já sabia que não aconteceria algo. Os moços que me interesso, mudam. O meu jeito de ser, não. A curiosidade de descobrir quem é você, os momentos bobos que acho lindo qualquer baboseira que faça e que por um momento, não resisto e penso como seria uma vida ao teu lado.

Sou eu, ansiosa, com o pé lá na frente, sonhadora, me vestindo de desencanada até perdermos o timing, você partir e eu recomeçar o processo com outro.

3 comentários:

Natália Onori disse...

estes sentimentos tão pares e tão ímpares... os calores, os rubores, os sonhos que se despedaçam e recomeçam.
me inspirou... com sua licença, vou fazer um post bem semelhante.

Kalu disse...

por favor! Vou amar ler. ♥

Natália Onori disse...

Nasceu
http://ocangote.blogspot.com.br/2013/09/voce.html