26 agosto 2013

Corri, corri para atravessar a avenida. Consegui passar pelos carros que vinham à minha esquerda e paro na calçada, o farol dos carros à direita está aberto.

Vejo-me parada no meio da maior avenida, há carros vindo de ambos os lados. E se eu for atropelada? E se ao olhar para esquerda, não vejo o carro vindo por cima de mim à direita e vice versa? Fecha farol, fecha, fecha, fecha. Não consigo deixar meus olhos descansarem, sou tomada pela tensão de ser arrastada por algum carro. Sinto o meu corpo frágil. AMARELO. Quanto falta para o vermelho, amarelo?

O primeiro carro para. Alívio. Atravesso e a calçada seguinte me acolhe, me segura. Paro por instantes. Sou levada pelos empurrões dos desatentos. Não ligo. Se eu cair, eu levanto. Ainda sou o mesmo corpo frágil e inseguro que segundos antes estava parado no meio da avenida, mas não há meio. Estou em um dos lados que escolhi.

Este acontecimento só me leva a pensar o quanto ficar no meio de qualquer coisa me deixa mal, inclusive no meio de um pensamento.


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