22 outubro 2013



Zé Ramalho canta: Como é triste a tristeza mendigando um sorriso.

Vinicius de Morais diz: E a tristeza tem sempre a esperança de um dia não ser mais triste não.

E eu te pergunto: Agora já é depois?


06 outubro 2013

A vontade do beijo.



Pode ser mais lento, pode ser mais ofegante, pode ser único entre nós e interminável dentro do nosso tempo. E que seja somente ele, vivo e em movimento.

15 setembro 2013

"behind every beautiful thing there's some kind of pain" - Bob Dylan

Por trás de todo o amor que sinto pelo musicoterapia, existe o peso, arrependimento e dor de não ter iniciado este curso antes e ser atacada pelo destino que me indicou outros caminhos.

Queria voltar a 2003.


01 setembro 2013

Coração palpita, mão treme, rosto vermelho e a exata impressão que está escrito na sua testa que você está interessada naquele moço ali.

Vem paixonite, vai paixonite, vem romance, vai romance e os indícios são sempre os mesmos.

O processo que me leva a ser eu mesma demora. Começa com a insegurança. Aquela fase que me arrependo do doce que comi, da academia que não fiz, pois tenho CERTEZA que me tornarei menos atraente pelos quilinhos a mais. Sinto vergonha da unha mal cuidada, do cabelo amassado, das olheiras que não disfarcei com o corretivo. Tento me esconder atrás de mim.

Escuto, observo, presto atenção, mantenho-me discreta. Até surgir a primeira opinião polêmica. Senhoras e senhores, apresento-lhes Karen Luciene. A leonina aguarda o seu momento para a grande estréia com louvor. A cortina vermelha sobe e cá estou. Segura junto ao batom escuro, vez ou outra movimentando os cabelos, destilando opiniões sobre temas que não conhece com precisão. Minha maneira de dizer: Cheguei!

Volto para o meu canto com olhar atento e lembro de todas as vezes que minha terapeuta me lembrou de não chutar a porta, com um chicote e caindo na jugular de alguém. Tento ser menina, feminina, bebendo e sorrindo, fazendo charme. Surge mais uma polêmica. Hora de mentalizar "você não precisa impor sua opinião, nem acabar com ninguém desta mesa". O mantra se repete e acaba no momento que abro a boca para segundo ato.

Você me olha com cara de quem não consegue decifrar se sou mandona, metida, menina frágil, insegura, tímida, arrogante.
Eu retribuo o teu olhar com um sorriso dizendo através de meus olhos: "Sou um pouco de tudo isso".

Fica um ar sem graça quando somos os únicos na mesa. Sinto vontade de te beijar. Tenho medo de arriscar. Tento te dizer silenciosamente para se aproximar que eu não mordo (não no primeiro momento). Começo a falar loucamente sobre algum assunto qualquer, evitando qualquer tipo de silêncio enquanto minha mente imagina como seria o teu beijo.

Hora de ir embora! Eu já sabia que não aconteceria algo. Os moços que me interesso, mudam. O meu jeito de ser, não. A curiosidade de descobrir quem é você, os momentos bobos que acho lindo qualquer baboseira que faça e que por um momento, não resisto e penso como seria uma vida ao teu lado.

Sou eu, ansiosa, com o pé lá na frente, sonhadora, me vestindo de desencanada até perdermos o timing, você partir e eu recomeçar o processo com outro.

28 agosto 2013

A primeira imagem do dia foi esta. E automaticamente me vem à cabeça aquele trecho da música do Semisonic: "every new beginning comes from some other beginning's end".

É. Os começos assustam. O fim, a saída, está seguro, basta olhar para trás e você enxergará o que já aconteceu. Abandonar o que é conhecido causa medo, expectativa. O começo, o início de algo é território desconhecido, não sabemos o que acontecerá.

Cruzar a porta de saída é deixar fatos para trás e dar um pontapé numa nova história escrita por nós mesmos.

26 agosto 2013

Corri, corri para atravessar a avenida. Consegui passar pelos carros que vinham à minha esquerda e paro na calçada, o farol dos carros à direita está aberto.

Vejo-me parada no meio da maior avenida, há carros vindo de ambos os lados. E se eu for atropelada? E se ao olhar para esquerda, não vejo o carro vindo por cima de mim à direita e vice versa? Fecha farol, fecha, fecha, fecha. Não consigo deixar meus olhos descansarem, sou tomada pela tensão de ser arrastada por algum carro. Sinto o meu corpo frágil. AMARELO. Quanto falta para o vermelho, amarelo?

O primeiro carro para. Alívio. Atravesso e a calçada seguinte me acolhe, me segura. Paro por instantes. Sou levada pelos empurrões dos desatentos. Não ligo. Se eu cair, eu levanto. Ainda sou o mesmo corpo frágil e inseguro que segundos antes estava parado no meio da avenida, mas não há meio. Estou em um dos lados que escolhi.

Este acontecimento só me leva a pensar o quanto ficar no meio de qualquer coisa me deixa mal, inclusive no meio de um pensamento.


19 agosto 2013

.Uma nova versão do mesmo.

Dei um chute no novo ano.

Sinto-me mais mulher, sinto-me mais segura pra sustentar o que penso e desejo. Não há motivos pra gaguejar o que é certo dentro de mim.

Consigo cantar um pagodão sem vergonha, dizer não a um convite ao invés de ir contra a vontade, sair mesmo que sozinha.

É um lado mais livre, mais leve, mesmo que o peso continue grande.

E ainda assim, conseguir renovar pensamentos, atitudes e opiniões. Este é o melhor presente que eu poderia me dar.


19 maio 2013

Você tem se tornado um estranho. Os papos sobre amenidades estão cada dia mais escassos e aquela intimidade que parecíamos ter, esvazia a cada diálogo.

Há um certo tabu entre nós, uma conversa sobre quem nos move afetivamente é algo no ar, intocável. Não te culpo, apesar de concordar que você tem uma boa influência neste novelo cheio de nós. Em algum momento, acreditei que poderíamos ser amigos. Agora tento me encontrar e sair pela porta que entrei.

Deparo-me com o teu egoísmo e sinto-me conversando com a parede quando se trata de algo meu. É angustiante pensar que depositei tamanha confiança em algo que virou pó. Provavelmente, decorrente da minha teimosia de um dia, pensar que com você poderia ser diferente.

"isso de 'o sofrimento que você sente é sua culpa, não do que o outro faz com você' é uma mentira que tentam nos enfiar goela abaixo, nesses tempos em que ninguém é responsável por ninguém".  

retirada de uma conversa com uma das mulheres mais incríveis que tenho orgulho de conviver, mesmo que esporadicamente.


14 maio 2013



Eu que defendo tanto a terapia musical, tinha esquecido como é aplicá-la dentro de mim.

A música que cicatriza, a música que te acolhe, a música que diz aquilo que você não consegue falar. Tem a música que faz dançar conforme o balanço necessário do teu corpo. Ah, eu adoro adoro aquela música que faz suspirar, gosto mais ainda da outra que arrepia.

Tem música que lembra quem já foi, música que deixa de ser tua e volta a ser minha. E tem aquela outra que você pensa "Urgh" e depois cai na risada ao lembrar como cantarolava e se bobear, encontra-se cantando com certa vergonha. 

Quem não gosta desses passeios musicais dentro da gente? 

13 maio 2013

Fiona Appleando

E hoje, eu vim trabalhar ao som de Fiona Apple. Já sabia desde ontem que ela seria a grande trilha sonora musical desta semana. Minha acolhedora, Fiona. Ela que vive todos os estágios da dor, sem a vergonha de escancarar aquilo que escondemos debaixo do tapete.

A cada música, cada verso, cada nota grave realçada, eu penso: É ISTO, FIONA! EXATAMENTE ISTO QUE ESTOU SENTINDO.

Fiona, você não me conhece e não precisa me conhecer, mas eu sei que você sabe que existe gente como eu, como você, sentindo por aí. Talvez a gente fale mais que deveria e a melhor saída fosse deixar as coisas escondidas debaixo do tapete, mas quando eu escuto sua raiva, muitas vezes desesperadora através de suas letras e melodias, me pergunto por que raios a gente precisa comprimir tudo dentro da gente? 

Que fiquem aqueles que nos acolhem do jeito que a gente é.

Fiona Apple - Sullen Girl

08 maio 2013

Eu crio tantos posts na minha mente. Penso em escrever sobre você, sobre mim, sobre o que acho do Feliciano, da novela ou do novo filme que deixará de ser novo na próxima semana. 

Penso em mudar o layout do blog.. Penso em tornar este blog uma verdadeira carta pública padronizada, aí eu lembro que não gosto de padrões e penso em separar por categorias.

Penso se não é hora de mudar casa, penso se não é hora de ficar aqui e sossegar o facho.

Então, meus pensamentos cansam e eu resolvo tomar um café pra recarregar os pensamentos.

14 abril 2013

Era hora de soltar as mãos entrelaçadas. A partir dali, seguiríamos caminhos distintos, nosso tempo juntos acabou. 

O que era ruim, descartei. O que era e ainda é bom, juntei e guardei numa caixa especial de memórias. Tenho certeza que de vez em quando, vou abri-la para lembrar da sua risada deliciosa, da maneira como interrompe o seu cigarro para colocar sua opinião sobre algo e logo em seguida faz uma piada sobre outra coisa, do seu beijo com vontade de me devorar, do seu cheiro na cama depois de partir, de como me faz sentir especial naquele momento eu e você.

Eu vou guardar, o que é nosso.


31 março 2013

Queria recomeçar, eu e você. Sinto aquela vontade de apagar tudo, todas as informações que temos um do outro. Como seria nos conhecermos hoje?



Tenho vontade de burlar o tempo que insiste em me passar a perna e me prega peças de chegar adiantada ou atrasada na vida de alguém. Como seria o nosso encontro no tempo certo? Daria mais ou menos certo? E se nada nos barrasse? Fossemos eu e você? Com nossas marcas, nossas histórias anteriores mas de coração livre?

Tenho mais curiosidade que vontade. Eu me escancarei e você não bancou. Não importa. Não vivemos aquilo que poderíamos viver. 


25 março 2013

Aquilo que não é pra ser compreendido

Aquela mania de entender, de buscar resposta, de questionar e de gritar: Por quê? 

Joguei a toalha. Pelo menos, por enquanto. Deixe-me viver sem entender suas razões. 


25 fevereiro 2013

Dizem que sou louco...

Quem é capaz de falar da sua loucura? Quem é capaz de determinar a linha entre a loucura e a normalidade? E por qual motivo há que se criar um termo para isso, já que o ser humano é tão individual, complexo e longe de ser tão parecido a outrém?
 
O que te faz pensar que os meus pensamentos não podem ser apenas meus, mesmo que exteriorizados? E que se você me colocar num hospital psiquiátrico, eles deixarão de existir?
 
Deixe-me com os meus pensamentos, com aquilo que você chama de loucura, deixe-me ser eu, apenas eu. Deixe-me fora daquilo que a sociedade condena como normal, como comum.
 
A única liberdade é o pensamento. Deixe-me ser livre.

31 janeiro 2013

Seis

Seis anos. E tudo gira em torno do número 6. Seis anos trabalhando em uma empresa, seis anos trabalhando em outra, seis anos para mudar uma situação, seis anos que eu conheço você.

Você era o jovem adulto, rebelde e deslumbrado com novos caminhos. Eu era a jovem que afastava tudo e todos por proteção. Eu te afastei, lembra? Foi o que você contou a outra pessoa. Claro que te afastei, você era muito e mais para mim. Encantou-me com o seu sorriso, com suas escolhas musicais, toque e pensamentos escondidos atrás de suas tatuagens com um leve olhar de imposição sobre os outros. 

Eu sabia que no fundo, você era um menino que precisava ser acolhido. Não podia te acolher, queria ser acolhida. 

O tempo passou. Passou pra mim, pra você e para aqueles que nos acolheram. Você cresceu. Você amadureceu. Você virou adulto. Graças a ela? Provavelmente. Durante quase seis anos, você compartilhou sua vida com outra pessoa. Eu? Bem, compartilhei com algumas outras pessoas, tentei me enxergar por aí, através de reflexos em outros olhares. Nos acompanhamos. Eu aqui, você aí. De vez em quando minhas pernas tremiam quando te encontrava e meus suspiros eram quase incontroláveis quando sorria e falava.  Eu pensava e me arrependia de ter deixado você passar quando veio atrás de mim , pensei mais ainda quando bebemos além da conta e nos beijamos por impulsividade. Você não estava disponível, eu estava. Ah, tempo mal sincronizado. E toda vez que eu entrava em alguma enrascada afetiva, lembrava de você, lembrava que existe alguém como você disponível e não ia desistir de encontrar.

Então, eu me apaixonei, pelo menos eu acho. Foi o mais próximo que senti de uma paixão. E com ele, não pensava que você existia, não havia comparação. E lá fui eu te contar que conheci alguém, desembestei a falar como sempre. Você ouviu, disse legal e contou que estava solteiro. PÃM. O coração disparou. Jamais que você largaria aquela vida infeliz a dois e se jogaria no mundo novamente.
Eu criei ilusão em cima de outro e ganhei a desilusão. Novamente, nos cruzamos. Eu e você.


Conheci um outro você. Um homem. Um homem amadurecido, formado, sem aquela rebeldia adolescente e querendo construir vida própria. Só consegui te olhar com mais admiração. Você andou para frente, muito além. Você conseguiu ficar ainda mais bonito. 
Eu? Fiquei mais amarga, mais perdida, mas desiludida. Você quer trabalhar, eu quero me apaixonar.

Durante esse tempo, eu trabalhei demais e você amou.

Estamos disponíveis, afetivamente. Estamos? Você me reencontrou. Ou será que nos encontramos pela primeira vez? Será que viveremos de reencontros ou de novos encontros? Até nossos beijos estão diferentes. Talvez, vivamos nossa história. Talvez, nossa história sejam esses encontros. Ou talvez, a arte do nosso encontro seja o que antecede o desencontro.

02 janeiro 2013

A medida do tempo

Qual a medida do tempo? Dias, horas, minutos, segundos. Pra que? Pra quem? Você se sente pressionado pelo tempo? Eu me sinto, a todo momento.

Como seria se não existisse a contagem do tempo? Estamos prontos para viver uma rotina de desordem? Guiados e controlados pelo dia e noite?

E se eu não soubesse que tenho 30 anos? Que não tenho que carregar tudo que enfiaram na minha cabeça com a idade? E se apenas o meu relógio biológico gritasse? Se eu, você e todos nós, pudessemos acordar a hora que o nosso corpo desperta, seja com a luz entrando pela janela ou um ok de um corpo descansado? 

Uso boa parte do meu tempo para criticar o próprio tempo e a briga com o relógio, mesmo entendendo o caos que seria sem o controle dele.

Tempo é meu inimigo na maior parte do tempo, mas o tempo é meu único aliado para diminuir saudade, esquecer, amadurecer.

Aí vem o Mário Quintana e grita suavemente sobre o tempo com sua poesia:

O Tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.