27 dezembro 2012

"Muitas vezes, é na escuridão da alma que encontramos o verdadeiro sentido da vida. Deixo aqui toda a minha admiração pela sua dedicação em descer aos porões da sua alma com coragem e dignidade."
 E foi assim que minha terapeuta me desejou boas festas. Chorei. Chorei sozinha, como eu sempre faço, dentro do meu pequeno universo. Foi um choro de alívio, de entrega, de vergonha, de ter sido acolhida e compreendida.
Há anos, eu não me despia, me entregava tão intensamente a outra pessoa, ou melhor, a mim mesma. Foi com essa disposição que sentei naquela poltrona em março, sem amarras, sem filtros, sem barreiras. Apenas eu e o meu medo de descobrir quem realmente sou.
Foi um ano de dor, de fazer coisas que nunca tinha feito antes, de remexer naquela caixa escondida no fundo do armário, de reencontrar o passado, de viver o presente e preparar algo para o futuro que não é tão distante como penso.
O que vivi em 2012 foi muito mais do que vivi nos últimos dez anos e apesar de cansada de repetir alguns padrões, sinto-me mais forte. Eu sei que não vou morrer disso ou daquilo, que vai doer, mas vai passar. E é o tempo que me abastece para novas tentativas, novas portas fechadas, caras quebradas, novos abraços, novos rostos, novos sorrisos, novas paisagens.
Talvez eu esteja aprendendo o que é viver fora da minha imaginação.