27 dezembro 2012

"Muitas vezes, é na escuridão da alma que encontramos o verdadeiro sentido da vida. Deixo aqui toda a minha admiração pela sua dedicação em descer aos porões da sua alma com coragem e dignidade."
 E foi assim que minha terapeuta me desejou boas festas. Chorei. Chorei sozinha, como eu sempre faço, dentro do meu pequeno universo. Foi um choro de alívio, de entrega, de vergonha, de ter sido acolhida e compreendida.
Há anos, eu não me despia, me entregava tão intensamente a outra pessoa, ou melhor, a mim mesma. Foi com essa disposição que sentei naquela poltrona em março, sem amarras, sem filtros, sem barreiras. Apenas eu e o meu medo de descobrir quem realmente sou.
Foi um ano de dor, de fazer coisas que nunca tinha feito antes, de remexer naquela caixa escondida no fundo do armário, de reencontrar o passado, de viver o presente e preparar algo para o futuro que não é tão distante como penso.
O que vivi em 2012 foi muito mais do que vivi nos últimos dez anos e apesar de cansada de repetir alguns padrões, sinto-me mais forte. Eu sei que não vou morrer disso ou daquilo, que vai doer, mas vai passar. E é o tempo que me abastece para novas tentativas, novas portas fechadas, caras quebradas, novos abraços, novos rostos, novos sorrisos, novas paisagens.
Talvez eu esteja aprendendo o que é viver fora da minha imaginação.

24 novembro 2012

     Você casou e eu estava lá. Tento descobrir o que é mais inusitado: você dizendo sim a alguém ou minha presença neste momento.

     Completamente feliz por te ver com os olhos brilhando como nunca vi. Fiquei esperando o momento que bateria uma leve tristeza, uma inveja por não ser eu, a escolhida, ou qualquer outro sentimento que sirva. Não! Estávamos felizes. Eu, você e todo mundo. Não via a hora de ouvir "Sim, eu aceito", beijar a noiva e todo mundo bater palmas.

     Você casou. Você respeitou que as músicas do U2 estão guardadas para o meu momento e trocamos um "Eu Te Amo" com outro significado. Que coisa, não? Esses sentimentos em mutação. Selamos nossa amizade, nossa irmandade. 

     Nos últimos tempos, estivemos afastados. Você, sempre em cima do muro com duas pessoas e eu na minha busca.

     Eu quero te dizer algumas coisas, V. Hoje, essa carta é sua:

"     Desde que nos conhecemos, sempre me disse que era difícil alguém me bancar e que isso tinha que ser visto como algo bom, pois eu era uma moça especial. Obviamente, não compreendia, nunca me julguei especial, tampouco merecedora do carinho de alguém (minha história de vida ajuda), me envolvi com pessoas que não queriam saber de mim e as que queriam, eu fugia. Era assim mesmo, mendigava atenção querendo conquistar quem me desprezava para justificar minha falta de sorte no campo afetivo. No fundo? Eu não queria me relacionar.
     Você veio e se mostrou um homem fantástico. E mais, mostrou que eu merecia mais. Insistiu em mim, nos meus valores, nos meus defeitos, qualidades e que eu era muito mais do que 'I´m little bit Claire'. Você foi peça fundamental para ser quem sou hoje. Perder meus medos de me relacionar com pessoas bacanas e buscá-las no campo afetivo. Tenho certeza que ficaria orgulhoso das minhas escolhas. E não é que há homens incríveis por aí como você? Eles existem. Estou fugindo da platonice e de repetir o que sempre repeti, estou me jogando mais, pronta para viver algo real, mostrando quem eu sou. Claro que, a partir do momento que me abri, não quer dizer que o outro estará aberto para mim. Dói, né? Não me permito sofrer além do necessário. Pode ser outro tipo de proteção, mas estou tentando, juro. Tenho vontade de desistir e esperar algum substituto para amor, mas não vou, te prometo. 
     Os sentimentos mudam em relação às pessoas, olha a gente, fui apaixonada anos por você e hoje, não consigo nem imaginar como seria te beijar. Hoje, você é um amigo que amo. 
     Ah, V., obrigada por não desistir de mim, por me mostrar que tinha que sair da minha zona de conforto e viver esse turbilhão. 
     Eu chego lá. Eu sei, você sabe e ele (seja quem for) também."

05 novembro 2012

Eu pedi o novo. Pedi o novo mesmo que fosse tudo novo de novo. Eu só queria que algo fosse novo. Ah, eu pedi com tanta força que o novo chegou. Abri o pacote do novo, sem medo. Que curiosidade para descobrir o que estava dentro da caixa. 

Dentro, tinha um bilhetinho: É hora de viver o antigo de um jeito novo.

Ouvindo Nina Simone - I'll look around.


30 outubro 2012

Não sei dizer o que quer dizer mas, eu vou dizer, sim.

    Na primeira semana do verão passado, o moço chegou com sua segurança protegida pela altura e um jeito doce, quase grudento. 

   Vim de um ano agarrada e alimentada pelas migalhas que os outros moços me ofereciam. Comecei a notar diferença naquele que, trazia calor ao meu verão. Por que não tentar? Claro que, igualmente os outros 99,9% pseudo relacionamentos, o moço trouxe um relacionamento mal resolvido. E quer saber o que pensei? Dane-se. Somos adultos, com histórias e pessoas especiais compondo nossas vidas. Ah, esse moço que me desejou por todo o verão e outono, com quem passei boas madrugadas, seja na rua, no bar, bebendo, fumando ou em casa. Deveria desconfiar da queda das folhas e mudança de estação.

    O inverno bateu e e ele se foi. Eu precisava demais do seu calor. Minhas declarações foram em vão, os meus cafés e cafunés, meu ouvido que sempre te escutava e a minha boca calada, afinal ele não estava interessado em me ouvir. Eu? Bem, estava exposta, com frio e sozinha. Minha mente, mais rápida que minha respiração, lembrou-me de janeiro de 2005, sentada com um pote de Nutella no frio gelado e cortante de Berlim, com aquele meu coração que até então, estava inteiro. Sou teimosa e insisti no mesmo erro, alguns invernos depois.

    Diferente daquela moça de 22 anos, fiz 30, vivi uma série de coisas e me dei o luxo de sentar, chorar e superar por alguns dias. A primavera estava chegando e queria dizer boas vindas com flores. Preparei-me para recebê-las, organizei toda a casa, joguei o peso que carregava somente por luxo e reservei o mais nobre espaço para elas. Sei e muito bem que as flores de plástico não morrem, todavia, não me interessam. Eu estava interessada nas flores vivas, as verdadeiras flores que preciso regar, trocar a água e cortar os cabos para não morrerem, mesmo sabendo que alguns dias depois, elas morreriam e eu traria novas flores para casa. Minhas flores queridas, também sou assim, caso não me cuide, morro mais rápido, mas renasço.

    Junto à primavera, veio o meu olhar atento, um coração remendado e sem amarras aos pulsos. 
Desde o primeiro momento, minha intuição disse: você terá problemas com esses olhos. Dito e feito. A impressão que tive, foi como se você me mapeasse, conseguisse enxergar além dos meus olhos. Não, eu não te dei acesso aos meus pensamentos, tampouco às minhas sensações. Me protegi da invasão, parei de te olhar, chamei a atenção gesticulando, procurando o que fazer com as mãos. Não tinha mesa, não tinha copo, não tinha cigarro. Estávamos ali, eu, você e os estranhos para figurar o ambiente. Ali, tive a confirmação da intuição. Primavera, te recebo tão bem e você me presenteia com problemas? 
    Estou aqui, aberta, de novo. Você? Algo me diz que você está pela metade, nem aqui, nem acolá. Não sei se aguento enfrentar minha teimosia tão cedo. Sequer sei, se tenho forças. Vou ficar um tempo, eu e minhas flores, meu café, minha cerveja, meus livros, minhas músicas, rodeada daquilo que me faz bem. A porta está aberta. Por enquanto.

26 outubro 2012

Você alimenta o ódio. Eu alimento o amor.
Você grita o ódio. Eu exalo o amor.
Você ri do ódio. Eu choro com o amor.
Você não sabe o que fazer com o ódio. Eu quero te mostrar o que fazer com o amor.
Você diz que o ódio é seguro. Eu me jogo do precipício do amor.
Você se sente protegido com o ódio. Eu te desarmo com amor.
Você pergunta: "Ódio a que?". Eu respondo: "Que não seja ao amor".

Escrito ao som da voz que me acolhe.



17 setembro 2012

Nada novo

...

Não lembro quanto passou desde minha última visita aqui, mas sabe? Eu vou escrever uma carta pública, como diz o nome desse blog, pois é hora de renascer de alguma forma.

Então, você, eu fiz trinta anos. E ao contrário do que imaginava para esta idade, fiquei desempregada pois consegui falir uma segunda empresa, que sorte a minha, continuo com as mesmas inseguranças da faculdade, mais dúvidas que certeza, além de ter me arriscado afetivamente e sem muito sucesso.

O que é pior de tudo isso? Sinto-me bem e mais viva. Não tenho segurança, tenho medo, tenho o desconhecido, mas tenho adrenalina, tenho curiosidade, tenho a ousadia de quem não tem nada a perder.

Trilha nova.



21 fevereiro 2012


O Coldplay está na lista TOP das minhas bandas favoritas. E apesar de hoje, estarem mais POP, sem aquele jeitinho melancolico dos dois primeiros álbuns que, eu particularmente, amo e não canso, a banda caminha para novas experiências sonoras. A tendencia é crescer, errar e experimentar. Engraçado, mesmo os tropeços, eu adoro.

E se tem um momento que eu adorei na Viva La Vida Tour, foi a chuva de borboletas de papel em Lovers In Japan. ♥