13 julho 2015

A distração dos pensamentos

"Ele é apenas a distração dos seus pensamentos" - disse Miriam.

Depois de ouvir um longo desabafo, uma amiga finaliza com esta frase. Sim, ele é apenas a distração dos meus pensamentos. Foi pra isso que eu o procurei, pra me distrair de outra situação, de outro desamor. É injusto cobrar algo que não estava acordado, tampouco querer tirá-lo de um lugar da prateleira e colocá-lo em outro espaço menor, forçar a ficar onde não cabe. Então por qual motivo a gente teima?

Tenho muito a agradecer este moço que não apenas distraiu meus pensamentos por uns meses como ensaiou novos e esquecidos sentimentos em mim.

Foram meses reconstruindo uma estima, acreditando que de novo e dessa vez, poderia ser diferente. Não foi. Ele é apenas outro alguém com uma história mal resolvida, envolvido com uma pessoa e me levando para a sua vida como terceiro elemento da relação.
Achei-o especial por compartilhar tantos gostos (diferentes e inesperados) parecidos com os meus, não olhei para aquilo que deveria prestar mais a atenção: atitude. Poderia ter seguido o conselho da minha terapeuta sobre os primeiros quinze dias. Não segui. Sou teimosa. Eu tento e me arrebento. Não me arrependo. Nem de ter assumido a postura de amante mental e ser o depósito de todas as suas frustrações. Difícil é recomeçar e eu sei como recomeçar.

Esses dias, assisti ao filme Perdas e Danos. Há uma cena que a personagem diz: "Tema as pessoas sofridas. Elas sabem que podem aguentar". 

Ainda tenho tanto para vomitar sobre este assunto, queria escrever até esgotar, até cansar, até pensar que se eu escrever inutilmente a seu respeito, vou te esquecer mais rápido. Ou lembrar que no final, o que tenho que fazer é me amar, incansavelmente antes de pensar em gostar de você.



22 outubro 2013



Zé Ramalho canta: Como é triste a tristeza mendigando um sorriso.

Vinicius de Morais diz: E a tristeza tem sempre a esperança de um dia não ser mais triste não.

E eu te pergunto: Agora já é depois?


06 outubro 2013

A vontade do beijo.



Pode ser mais lento, pode ser mais ofegante, pode ser único entre nós e interminável dentro do nosso tempo. E que seja somente ele, vivo e em movimento.

15 setembro 2013

"behind every beautiful thing there's some kind of pain" - Bob Dylan

Por trás de todo o amor que sinto pelo musicoterapia, existe o peso, arrependimento e dor de não ter iniciado este curso antes e ser atacada pelo destino que me indicou outros caminhos.

Queria voltar a 2003.


01 setembro 2013

Coração palpita, mão treme, rosto vermelho e a exata impressão que está escrito na sua testa que você está interessada naquele moço ali.

Vem paixonite, vai paixonite, vem romance, vai romance e os indícios são sempre os mesmos.

O processo que me leva a ser eu mesma demora. Começa com a insegurança. Aquela fase que me arrependo do doce que comi, da academia que não fiz, pois tenho CERTEZA que me tornarei menos atraente pelos quilinhos a mais. Sinto vergonha da unha mal cuidada, do cabelo amassado, das olheiras que não disfarcei com o corretivo. Tento me esconder atrás de mim.

Escuto, observo, presto atenção, mantenho-me discreta. Até surgir a primeira opinião polêmica. Senhoras e senhores, apresento-lhes Karen Luciene. A leonina aguarda o seu momento para a grande estréia com louvor. A cortina vermelha sobe e cá estou. Segura junto ao batom escuro, vez ou outra movimentando os cabelos, destilando opiniões sobre temas que não conhece com precisão. Minha maneira de dizer: Cheguei!

Volto para o meu canto com olhar atento e lembro de todas as vezes que minha terapeuta me lembrou de não chutar a porta, com um chicote e caindo na jugular de alguém. Tento ser menina, feminina, bebendo e sorrindo, fazendo charme. Surge mais uma polêmica. Hora de mentalizar "você não precisa impor sua opinião, nem acabar com ninguém desta mesa". O mantra se repete e acaba no momento que abro a boca para segundo ato.

Você me olha com cara de quem não consegue decifrar se sou mandona, metida, menina frágil, insegura, tímida, arrogante.
Eu retribuo o teu olhar com um sorriso dizendo através de meus olhos: "Sou um pouco de tudo isso".

Fica um ar sem graça quando somos os únicos na mesa. Sinto vontade de te beijar. Tenho medo de arriscar. Tento te dizer silenciosamente para se aproximar que eu não mordo (não no primeiro momento). Começo a falar loucamente sobre algum assunto qualquer, evitando qualquer tipo de silêncio enquanto minha mente imagina como seria o teu beijo.

Hora de ir embora! Eu já sabia que não aconteceria algo. Os moços que me interesso, mudam. O meu jeito de ser, não. A curiosidade de descobrir quem é você, os momentos bobos que acho lindo qualquer baboseira que faça e que por um momento, não resisto e penso como seria uma vida ao teu lado.

Sou eu, ansiosa, com o pé lá na frente, sonhadora, me vestindo de desencanada até perdermos o timing, você partir e eu recomeçar o processo com outro.

28 agosto 2013

A primeira imagem do dia foi esta. E automaticamente me vem à cabeça aquele trecho da música do Semisonic: "every new beginning comes from some other beginning's end".

É. Os começos assustam. O fim, a saída, está seguro, basta olhar para trás e você enxergará o que já aconteceu. Abandonar o que é conhecido causa medo, expectativa. O começo, o início de algo é território desconhecido, não sabemos o que acontecerá.

Cruzar a porta de saída é deixar fatos para trás e dar um pontapé numa nova história escrita por nós mesmos.

26 agosto 2013

Corri, corri para atravessar a avenida. Consegui passar pelos carros que vinham à minha esquerda e paro na calçada, o farol dos carros à direita está aberto.

Vejo-me parada no meio da maior avenida, há carros vindo de ambos os lados. E se eu for atropelada? E se ao olhar para esquerda, não vejo o carro vindo por cima de mim à direita e vice versa? Fecha farol, fecha, fecha, fecha. Não consigo deixar meus olhos descansarem, sou tomada pela tensão de ser arrastada por algum carro. Sinto o meu corpo frágil. AMARELO. Quanto falta para o vermelho, amarelo?

O primeiro carro para. Alívio. Atravesso e a calçada seguinte me acolhe, me segura. Paro por instantes. Sou levada pelos empurrões dos desatentos. Não ligo. Se eu cair, eu levanto. Ainda sou o mesmo corpo frágil e inseguro que segundos antes estava parado no meio da avenida, mas não há meio. Estou em um dos lados que escolhi.

Este acontecimento só me leva a pensar o quanto ficar no meio de qualquer coisa me deixa mal, inclusive no meio de um pensamento.


19 agosto 2013

.Uma nova versão do mesmo.

Dei um chute no novo ano.

Sinto-me mais mulher, sinto-me mais segura pra sustentar o que penso e desejo. Não há motivos pra gaguejar o que é certo dentro de mim.

Consigo cantar um pagodão sem vergonha, dizer não a um convite ao invés de ir contra a vontade, sair mesmo que sozinha.

É um lado mais livre, mais leve, mesmo que o peso continue grande.

E ainda assim, conseguir renovar pensamentos, atitudes e opiniões. Este é o melhor presente que eu poderia me dar.


19 maio 2013

Você tem se tornado um estranho. Os papos sobre amenidades estão cada dia mais escassos e aquela intimidade que parecíamos ter, esvazia a cada diálogo.

Há um certo tabu entre nós, uma conversa sobre quem nos move afetivamente é algo no ar, intocável. Não te culpo, apesar de concordar que você tem uma boa influência neste novelo cheio de nós. Em algum momento, acreditei que poderíamos ser amigos. Agora tento me encontrar e sair pela porta que entrei.

Deparo-me com o teu egoísmo e sinto-me conversando com a parede quando se trata de algo meu. É angustiante pensar que depositei tamanha confiança em algo que virou pó. Provavelmente, decorrente da minha teimosia de um dia, pensar que com você poderia ser diferente.

"isso de 'o sofrimento que você sente é sua culpa, não do que o outro faz com você' é uma mentira que tentam nos enfiar goela abaixo, nesses tempos em que ninguém é responsável por ninguém".  

retirada de uma conversa com uma das mulheres mais incríveis que tenho orgulho de conviver, mesmo que esporadicamente.